Cheguei no fim da fila aos 30 e poucos.
Calma, isso não significa que eu desisti. Pelo contrário. Quando se é o último da fila, desistir não é uma opção.
Aprendi sobre a teoria das filas quando estava fazendo a minha caminhada diária na esteira, ouvindo as minhas aulas de neurociências. Quase caí quando o insight bateu.
É, sou advogada, amo o que faço, mas a medicina e a ciência moram também no meu coração. Teria sido feliz nessa empreitada, certamente. Afinal, sou geminiana.
Mas, deixando os signos de lado – até porque estamos em Mercúrio Retrógrado – vamos voltar às filas.
Eslen Delanogare ensina que na vida vivemos em uma fila. Quanto mais novos somos, mais no início da fila estamos. E quando olhamos para trás, há várias pessoas nos dando suporte: avós, pais, tios, tias, enfim. A fila é longa atrás da gente, o que dá tranquilidade para viver a fase inicial da vida.
No entanto, cada pessoa tem uma fila diferente. E quanto mais avançamos na idade, mais a proporção dessa fila muda. É aqui que o destino entra tirando o total controle das nossas mãos (se é que o tínhamos!).
Eu cheguei no fim da linha aos 30 e poucos. Depois do divórcio, olhei para trás atrás de suporte e não tinha. Olhei para frente e tinha gente. Ops! Agora complicou!
Quando você chega na última posição, olha para trás e não vê ninguém, as pernas estremecem, a vista turva, dá aquele frio no estômago e a respiração fica constantemente inconstante. São os sinais do desespero. Mas, por outro lado, quando você olha para frente e vê que tem gente que depende de você, passa a entender aquela frase: “é isso que separa a mulher da menina, o homem do menino”.
Se você está no fim da linha, não há tempo para escolhas ruins. Ainda mais na realidade que estamos vivendo. Não há tempo para discursos sensacionalistas, de jogar tudo para o alto e seguir brincando que é Geração Z. Você não é.
Eu não tenho um curso para lhe vender de como se preparar para o fim da linha ou nem tenho poderes sensitivos para dizer quando vai chegar a sua vez. A minha chegou de supetão. Mas eu posso lhe dar um conselho: olhe para trás e veja quem ainda lhe suporta. Se o número é reduzido, seja intencional. A intencionalidade e a racionalidade dos seus atos vão mudar o jogo. Já a fila… a fila anda.
Quando você olha para frente e vê que tem gente que depende de você, passa a entender aquela frase: “é isso que separa a mulher da menina, o homem do menino”.










